Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram...
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana que gerou em nós
um sentimento intenso
e que nos fez companhia
por um tempo razoável, um tempo feliz.
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos
a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos;
por todos os filhos que gostaríamos
de ter tido juntos e não tivemos;
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter
compartilhado e não compartilhamos.

pela eternidade interrompida.
Sofremos não porque nosso trabalho
é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar...
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em
que poderíamos estar confidenciando
a ela nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim
que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos
e nunca chegamos a experimentar.
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço
de que o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
(Autor: Carlos Drumond de Andrade)
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