UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Vai

E como criança, não pense.
Apenas pinte o seu dia
com as cores da alegria,
transforma a meia furada
em uma bola e brinca.

Brinque com a dor
que insiste em te visitar,
(quem sabe ela desiste e vai amolar outro).

Brinque com os problemas
e resolva-os,
(sério mesmo é o seu fígado,
tenha dó dele).

Brinque com a dureza e crie
um novo estilo,
(estilo despojado de ser feliz)
brinque com a incerteza e faça dela
uma decisão,
(ser ou não ser, eis a questão)
decida-se pelo que é simples,
o simples é fundamental.

Como criança,
solte a sua pipa,
deixe seus sonhos voarem
até as estrelas.

Caminhe confiante, pule amarelinha,
onde cada casinha é
um problema superado,
pise com força nesse chão,
determine!

E como na brincadeira de roda,
se você sentir solidão,
chame um amigo,
e na caminhada descubra um irmão.

Amarre uma corda
no seu caminhãozinho,
são os seus sonhos que você
deve puxar,
não passe para ninguém essa tarefa,
como menino que não empresta
o brinquedo,
como o dono da bola,
você tem que jogar!

Não desista, por favor, agora não,
é hora de sorrir,
de contemplar o dia,
que se enfeitou todo para
a criança que habita em você,
se derramar em um riso frouxo,
despreocupado, livre,
certo de que Deus é
um Pai amoroso,
e nós as
"suas crianças em crescimento",
no jardim que é a vida.

Vai,
pinta o seu dia com as cores
da alegria,
e com uma simples reta,
trace seu futuro,
acreditando em você, livre,
motivado, em paz,
e pronto para conquistar.

O dia nasceu feliz,
e é todo seu!
Eu acredito em você!

(Autor: Paulo Roberto Gaefke)

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