todas as coisas continuam para sempre,
como um rio que corre ininterruptamente para o mar,
por mais que façam para o deter.
acredita nestas coisas,
que tem como evidentes.
Acredita na eternidade das pedras
e não na dos sentimentos;
acredita na integridade da água,
do vento,
das estrelas.
acredito que para sempre ouviremos
o som da água no rio
onde tantas vezes mergulhámos a cara,
para sempre passaremos pela sombra da árvore
onde tantas vezes parámos,
para sempre seremos a brisa que entra
e passeia pela casa,
para sempre deslizaremos
através do silêncio das noites quietas
em que tantas vezes olhámos o céu
e interrogámos o seu sentido.
Nisto eu acredito:
na veemência destas coisas sem princípio nem fim,
na verdade dos sentimentos nunca traídos.
como o som do mar imaginado dentro de um búzio.
Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias,
num mar de Setembro,
com cheiro a algas e a iodo.
E de novo acredito
que nada do que é importante
se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos,
julgando ser donos das coisas,
dos instantes
e dos outros.
Comigo caminham,
todos os mortos que amei,
todos os amigos que se afastaram,
todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada,
apenas a ilusão de que
tudo podia ser meu para sempre.
















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