UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Escrever é como despir-se


Escrever é como despir-se. 
É impossível querer que as minhas palavras não me exponham, 
é inevitável que elas me arranquem peça por peça de roupa, 
e é muita ingenuidade achar que elas gerarão reações idênticas. 
As mesmas palavras que emocionam ou fazem rir, 
causam repulsa e contrariam. 
Geram polêmica e desconforto, 
da mesma maneira que confortam. 
E, de uma forma ou de outra, me tornam vulnerável. 
Escrever num blog tem sido, para mim, 
um exercício fascinante de nudez 
e de descoberta de partes de mim que estavam tão cobertas 
e protegidas que eu mesma desconhecia. 

(Autora: Roberta Simoni)

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