UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

As palavras muitas vezes impedem, encobrem, camuflam a entrega

As palavras são quase sempre desnecessárias ou inúteis,
são arranjos que muitas vezes nos impedem de fazer contato.
O contato vem da mansidão, da entrega, do aquiescer.
As palavras muitas vezes impedem,
encobrem, camuflam a entrega.
Fale pouco,
conviva com o que é,
entre em contato,
espere.

(Autor: Jeremias Horta)

Nenhum comentário: