UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Amigos


Amigos novos são bem-vindos,
trazem frescor à nossa vida,
mas há certos momentos em que
precisamos de um espelho humano,
alguém em quem possamos nos refletir
e avalizar nossa origem e identidade.
Estes espelhos geralmente são nossos pais,
irmãos e os "velhos amigos",
trazem frescor à nossa vida,
mas pode ser também uma fruta que você colhia
no pátio da casa da sua infância,
pode ser um fusca que você não tem coragem de vender,
pode ser um anel que foi da sua avó
e que hoje está no dedo da sua filha.
Pode ser qualquer coisa que te leve pra trás
e te traga de volta,
assegurando quem você é — e sempre foi.
(Autora: Martha Medeiros)

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