UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Morrer de Amor



 Que o amor não era eterno eu já sabia
Estava certo que uma vida ele durava
Ignorava quanta dor nele cabia
Que uma vida nem de perto me chegava

Que o amor é como um laço dado ao peito
Quanto mais distante está mais ele aperta
E é tanta a força à qual eu estou sujeito
Que já sinto a vida curta e a morte certa

(Autor:  Trabis De Mentia)

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