UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Fragmentos



Sou como a chama da vela,
que se desvela em meio às sombras...
quando toda escuridão me faz perdida....
ainda sou luz em minha vida!

Sou como o barco sem rumo,
no mar bravio de tempestade...
quando tudo parece naufragar,
sinto que ainda sei amar!

Sou como o frio do inverno,
que parece não ter fim...
Quando penso no sofrimento,
congelo...
Mas ainda sou eu mesma em mim!

(Autora: Stella Vives)

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