UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Poeta, viajante das estrelas



Meu destino é ser solitário,
coração errante,
eterno navegante sem porto
habitante das cidades ilusórias
nascido sem dores de parto.
Sou filho do sol e da lua
no meu coração batem rimas,
no meu sangue circulam versos
e meu sorriso traduz poemas
jamais escritos por medo ou incerteza.
Cresci no meio de olhares,
alimentei-me de sentimentos diversos.
Crescendo dentro de almas estranhas
sou o poeta das rimas provisórias.
Meu alimento é paixão, ódio, amor e todo sentimento
existente nas entranhas humanas
seja ele qual for
Sou filho do céu e do mar,
minhas veias são estradas infinitas
por onde passam caravanas ciganas,
minha mente imenso espaço
com profusão de estrelas e astros,
minhas mãos são pergaminhos sagrados
revelando segredos antigos,
meus olhos espelho de alma tímida
traduzindo versos que eu não quis escrever
por uma razão qualquer.
Meu destino é seguir eternamente
sem rumos ou guias, por estradas vazias
que levam sempre ao meu lugar.
Sou filho do tudo e do nada,
da beira da estrada, do chão e do ar.
Minha voz é doce balada,
cantiga suave para o mundo sonhar.
Sou som e sou cor, sou ódio e amor
sou vida, sou morte, sou sangue sem corte
Poeta eu sou.
(Autor: Mauro Gouvea)

Nenhum comentário: