A Paixão e a morte de Jesus são a maior revelação
da manifestação da misericórdia do Pai.
Parece incompatível com a fé a idéia de um Deus
insensível que sacrifica Seu Filho como o Cordeiro
ofertado para aplacar Sua divindade ferida e irada.
Como admitir Deus como uma fera acuada
pelo pecado da humanidade?
Por isso este relato é um convite ao leitor a aproximar-se do Senhor,
a seguí-Lo, a levar com Ele a cruz de cada dia.
Também nos convida a prestar atenção no sangue dos mártires
que acompanharam o exemplo de Jesus na história humana.
O esvaziamento (kenosis), até a humanidade total, o sofrimento com causa,
em solidariedade extrema, nos fazem reconhecer um Jesus
que não foge à Sua condição humana.
Na palavra que dirige na cruz ao malfeitor arrependido:
hoje mesmo estarás Comigo no paraíso, lembramos
esse hoje que nos transporta a Lucas 4,21, quando na sinagoga de Nazaré,
Jesus declara que hoje se cumpriu a passagem
de Isaías 61,1-2, que acabava de ler.
O tempo se cumpriu e Ele, que veio para anunciar
a liberdade aos cativos e a vista aos cegos,
para pôr em liberdade os oprimidos
e para proclamar o ano da Graça do Senhor, aí está.
Cumpriu Sua missão, porque morreu pendurado da cruz,
como Mártir do Reino de Deus, mas seguirá
vivendo entre nós, ressurreto,
e nós o reconheceremos.
O testemunho (martyria), mais chocante da causa do Reino de Deus,
na missão de Deus cumprida sem o uso dos atributos divinos,
é encontrado em Jesus.
O mesmo que foi chamado pelos pais da Igreja Antiga
(primeiros líderes), de verdadeiro homem e verdadeiro Deus
(Credos e Confissões da Igreja Antiga).
O Reino e a salvação não se conquistam sem a cruz.
É o que nos diz a Páscoa, ou o que deveria dizer!
A páscoa dos cristãos é a Páscoa da Ressurreição.
A morte, assim, é a ressurreição conquistada, a Vida brota das sepulturas.
Eu sou a Ressurreição e a Vida...
A Paixão, finalmente, nos convida a refletir sobre a causa do Homem de Nazaré,
Mártir do Reino, morto, ressuscitado e glorificado pelo Pai.
Tomé duvidou da ressurreição, (João 20,24),
Jesus lhe disse, quando o mesmo conferiu Suas feridas:
“Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram!.
Que isso nos faça Felizes!
Autor: Rev. Derval Dasílio



















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