UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Jesus, o Mártir do Reino



A Paixão e a morte de Jesus são a maior revelação 
da manifestação da misericórdia do Pai. 
Parece incompatível com a fé a idéia de um Deus 
insensível que sacrifica Seu Filho como o Cordeiro 
ofertado para aplacar Sua divindade ferida e irada. 
Como admitir Deus como uma fera acuada 
pelo pecado da humanidade?

Por isso este relato é um convite ao leitor a aproximar-se do Senhor, 
a seguí-Lo, a levar com Ele a cruz de cada dia. 
Também nos convida a prestar atenção no sangue dos mártires 
que acompanharam o exemplo de Jesus na história humana. 
O esvaziamento (kenosis), até a humanidade total, o sofrimento com causa, 
em solidariedade extrema, nos fazem reconhecer um Jesus 
que não foge à Sua condição humana.

Na palavra que dirige na cruz ao malfeitor arrependido: 
hoje mesmo estarás Comigo no paraíso, lembramos 
esse hoje que nos transporta a Lucas 4,21, quando na sinagoga de Nazaré, 
Jesus declara que hoje se cumpriu a passagem 
de Isaías 61,1-2, que acabava de ler. 
O tempo se cumpriu e Ele, que veio para anunciar 
a liberdade aos cativos e a vista aos cegos, 
para pôr em liberdade os oprimidos 
e para proclamar o ano da Graça do Senhor, aí está. 
Cumpriu Sua missão, porque morreu pendurado da cruz, 
como Mártir do Reino de Deus, mas seguirá 
vivendo entre nós, ressurreto, 
e nós o reconheceremos.

O testemunho (martyria), mais chocante da causa do Reino de Deus, 
na missão de Deus cumprida sem o uso dos atributos divinos, 
é encontrado em Jesus. 
O mesmo que foi chamado pelos pais da Igreja Antiga 
(primeiros líderes), de verdadeiro homem e verdadeiro Deus 
(Credos e Confissões da Igreja Antiga).

O Reino e a salvação não se conquistam sem a cruz. 
É o que nos diz a Páscoa, ou o que deveria dizer! 
A páscoa dos cristãos é a Páscoa da Ressurreição. 
A morte, assim, é a ressurreição conquistada, a Vida brota das sepulturas. 
Eu sou a Ressurreição e a Vida... 
A Paixão, finalmente, nos convida a refletir sobre a causa do Homem de Nazaré, 
Mártir do Reino, morto, ressuscitado e glorificado pelo Pai. 
Tomé duvidou da ressurreição, (João 20,24), 
Jesus lhe disse, quando o mesmo conferiu Suas feridas: 
“Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram!. 
Que isso nos faça Felizes!

Autor: Rev. Derval Dasílio

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