UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pastilhas de Paz

Muna-se de calma,
abasteça-se de silêncio
Vá ter com as flores,
com as árvores, com as frutas.
Até os animais, os mudos animais,
têm lições para os homens.
Olhe-os bem.
Escute seu eterno silêncio.
Fez Deus as cores para nós.
Abra os olhos,
deixe-as entrar na alma.
Enfeite com elas o coração.
O Céu mune-se de arte,
aberto dia e noite,
bienal de valor cedida pelo Pai aos filhos,
olhe-o sempre, a ponto de decorá-lo.
Deixe-o alegrar-lhe a vida.
Comece bem o dia.
Comece-o, com um pequeno
plano de trabalho.
Preveja-se, proveja-se.
Se tiver pressa, seja apenas exterior.
Tenha o coração parado,
andando parado.
Aprenda a nadar, em terra,
no mar dos trabalhos,
nas vagas das tribulações.
Cabeça para fora.
O ritmo é tic-tac do tempo
e da coragem .
Toda cadência canta vitória.
A pausa é quase "PAZ S.A".
Não deixe seu coração
sem um bom habitante.
Expulse dele o morador que atormenta.
Haja paz.
Não siga a primeira onda,
não adote a primeira impressão,
não creia em cálculos apressados.
A paz da alma é feita de ordem da alma .
Tudo em um lugar, tudo a seu tempo,
tudo a seu modo.
Não aceite pensamentos turvos.
Não asile sentimentos atropelados.
Desvie-se dos maremotos interiores.
Decrete calma, durante a borrasca.
Acorda, sem pressa, o dia.
Abrem-se vagarosamente as flores.
Andam sossegados os rios.
Por que havemos de ser os únicos
a correr?
Colecione impressões agradáveis,
limpas, lindas, leves.
Refugie-se nelas
quando lhe ferver a cabeça...
Imite o céu,
quando se espalmar sereno e mudo,
por cima das tormentas dos homens.
Descanse, ouvindo música,
quando se cansar
de tanto ouvir pessoas.
Creia... busque...
tenha sempre recursos espirituais.
Aprenda, quanto antes, a rezar.
Não se importe,
não implique tanto com sua pessoa.
Vá com os outros.
Gaste mais tempo com eles.
Um bolo de algodão
desfaz a fúria de uma bala...
Uns metros de areia
aquietam os ímpetos do mar.
Olhar manso termina a briga.
Vence o amor.
Contrarie elegantemente
seus sentimentos inquietos...
Siga o caminho da cabeça.
Nem sempre o coração
acerta em matéria de rotas.
Deixe esfriar os sentimentos.
Deixe esfriar até os pensamentos.
Faça tudo com calma.
Force a PAZ.
Não conte o que fez de bem.
Não desconte na coragem.

TEIME NA BONDADE!

(Autor Desconhecido)

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