UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Paz e a Lua


Eu quero a Paz...

A grande Paz da Lua sozinha no céu.


A paz sem a menor lembrança.
A paz de quem nunca viveu.
A Paz que reina nos domínios...

Onde não há musgos nem germes.
E não há sulcos nos caminhos.
E há seiva debaixo da neve.

A Paz sem devaneios.
Dentro dos seus nítidos horizontes.

A Paz dos cristais no silêncio...
Sem nenhuma idéia de som.

A Paz que precedeu as sombras.
A que antes das trevas nasceu.
A que nos tempos não se encontra.
A que foi desejo de Deus.

(Autor: Desconhecido)

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