UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sem olhar prá trás

Os homens caminham pela face da Terra em fila indiana,
cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.

Na sacola da frente, nós colocamos as nossas qualidades.

Na sacola de trás, guardamos todos os nossos defeitos.

Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos
fixos nas virtudes que possuímos presas em nosso peito.

Ao mesmo tempo, reparamos, impiedosamente, nas costas
do companheiro que está adiante, em todos os defeitos que
ele possui.

E julgamo-nos melhores que ele – sem perceber que a pessoa
andando atrás de nós está pensando a mesma coisa a nosso
respeito.

(Autor: Gilberto de Nucci)

Nenhum comentário: