UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

sábado, 7 de julho de 2012

Cântico de Vida



Por que, amor, cantar a morte, 
 Por que, amada, sepultar a vida? 
Somente o grande Augusto, em verso forte, 
O fez tão bem e na válida medida! 
Somente a vida dá, em desmedida 
 Bondade, real prazer e aponta o norte 
Que devemos seguir, desinibida, 
Confiantemente, peito arfante e forte, 
 Em busca do prazer e da alegria 
Que façam mais feliz o nosso dia. 
Não sigas dessa gente o mau exemplo, 
 Que com amor maior eu te contemplo. 
Não enveredes por caminhos tortos.
 Deixa que os mortos sepultem seus mortos. 

 (Autor: L. A. Sampaio)

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