UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

sábado, 7 de julho de 2012

Luar



A lua estendeu seu lençol sobre o rosto dos dois
e subjugou com seus olhos o delírio e a paixão.
Eles pediram exaustos que não se fosse de lá
e a lua, lua, lua, cantou até o amanhecer.
Enlaçando com seu brilho as ânsias daqueles dois,
até formar uma trama com a qual, os envolveu.

E o moço naquela noite disse para a menina mulher:
- "És lua em teu cabelo, és lua em tua olhar"
e ela beijando seus lábios disse "lua és meu grande amor"
Ávidos da boca imensa o beijo os consumiu
e se foram com a lua, as duas luas ,lua-amor,
e a lua apaixonada com ela os levou.

Se olhas o vasto céu quando sua luz acende
verás que em corno crescente a lua leva uma cauda
de noiva que na eternidade, canta seu amor pelo céu
tomada do fiel amante, os três até o amanhecer. 

(Autor: Alberto Peyrano - Tradução de Marilena Trujillo)

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