I
Em um castelo doirado
Dorme encantada donzela;
Nasceu – e vive dormindo
- Dorme tudo junto dela.
Dorme encantada donzela;
Nasceu – e vive dormindo
- Dorme tudo junto dela.
Adormeceu-a sonhando
Um feiticeiro condão,
E dormem no seio dela
As rosas do coração.
Um feiticeiro condão,
E dormem no seio dela
As rosas do coração.
Dorme a lâmpada argentina
Defronte do leito seu:
Noite a noite a lua triste
Dorme pálida no céu.
Defronte do leito seu:
Noite a noite a lua triste
Dorme pálida no céu.
Voam os sonhos errantes
Do leito sob o dossel,
E suspiram no alaúde
As notas do menestrel.
Do leito sob o dossel,
E suspiram no alaúde
As notas do menestrel.
E no castelo, sozinha,
Dorme encantada donzela:
Nasce – e vive dormindo
- Dorme tudo junto dela.
Dorme encantada donzela:
Nasce – e vive dormindo
- Dorme tudo junto dela.
Dormem cheirosas abrindo
As roseiras em botão,
E dormem no seio dela
As rosas do coração !
As roseiras em botão,
E dormem no seio dela
As rosas do coração !
II
A donzela adormecida
É a tua alma santinha,
Que não sonha nas saudades
E nos amores na minha.
É a tua alma santinha,
Que não sonha nas saudades
E nos amores na minha.
- Nos meus amores que velam
Debaixo do teu dossel,
E suspiram no alaúde
As notas do menestrel !
Debaixo do teu dossel,
E suspiram no alaúde
As notas do menestrel !
Acorda, minha donzela,
Foi-se a lua – eis a manhã
E nos céus da primavera
A aurora é tua irmã.
Foi-se a lua – eis a manhã
E nos céus da primavera
A aurora é tua irmã.
Abrirão no vale as flores
Sorrindo na fresquidão:
Entre as rosas da campina
Abram-se as do coração.
Sorrindo na fresquidão:
Entre as rosas da campina
Abram-se as do coração.
Acorda, minha donzela,
Soltemos da infância o véu...
Se nós morrermos num beijo,
Acordaremos no céu.
Soltemos da infância o véu...
Se nós morrermos num beijo,
Acordaremos no céu.
(Autor: Álvares de Azevedo)
















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