UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Poeta de Verão


Sou poeta sem jeito
Pulando dentro do peito
Canta o pobre coração
Recita a poesia de verão

É poeta pirado
Perdido e achado
Nas rodas do mundo
Perdido e sem fundo

É poeta de araque
Sem defesa ou ataque
De coração na mão
Meio luz, meio escuridão

É como dizem os antigos
Preciso de amigos
Porque poeta sem amor
É como água com cor.

(Autor: Jonas Carneiro Silva)

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