UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

sábado, 12 de novembro de 2011

Palavras



Se a todos agrides,
Sem nas palavras pensar,
Esquecendo que palavras,
Também podem machucar.
E vais logo falando,
O que a cabeça te vem,
Não espera, não dás tempo,
Para que o outro fale também.
Descarregas tua ira,
No primeiro que aparece,
Não é assim que se resolve,
Um problema que te aborrece.
Pois se tens teus problemas,
Pense que o outro também tem,
Resolva então o teu,
E respeite o do outro também.
Tua ira em nada te ajuda,
Ao contrário te atrapalha,
Porque muitas vezes a descarrega,
Cometendo outra falha.
Aquele que agrediste,
Talvez te ajudar podia,
Mas tão cego tu estavas,
Que uma boa chance perdia.
Meças, pois, tuas palavras,
Quando a alguém as dirigir,
Pois que se uma palavra SALVA,
Uma outra pode DESTRUIR.


(Autora: Célia Jardim)

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