UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

domingo, 12 de setembro de 2010

Oração!




Senhor!
Agradeço as bênçãos que me deste,
sem que eu soubesse compreendê-las.

Roguei-te paz,
e me enviaste as tribulações
que me tumultuaram o recanto de ação,
compelindo-me a lutar,
por dentro de mim,
para asserenar aqueles que me cercam
e somente após reconhece-los tranqüilos,
é que notei a paz de todos eles
habitando-me o coração.

Supliquei-te defesas,
e determinaste que forças contrárias
ao meu reconforto me atingissem o espírito
e o ambiente em que me encontro,
obrigando-me a longo esforço
para criar refúgio e apoio
para quantos me confiaste ao amor
e, apenas depois de observá-los felizes,
é que reconheci comigo
a alegria de todos eles
em forma e segurança.

Obrigado, Senhor,
porque não me doaste aquilo
que eu precisava segundo as minhas requisições,
e sim de acordo com as minhas necessidades.

E agradeço, ainda,
porque me mostraste, sem palavras,
a significação do ensino
que transmite ao teu apóstolo da humildade:

- "É dando que se recebe".
(Autor Desconhecido)

Nenhum comentário: