UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Compras de Natal


São as cestinhas forradas de seda,
 as caixas transparentes os estojos, 
os papéis de embrulho com desenhos inesperados,
 os barbantes, atilhos, fitas, 
o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. 
Pagamos por essa graça delicada da ilusão. 
E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. 
Durável - apenas o Meninozinho nas suas palhas, 
a olhar para este mundo.

(Autora: Cecília Meireles)

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