UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

LIVRO: Mulheres que amam demais

Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Robin Norwood

O livro Mulheres que Amam Demais, da autora
Robin Norwood trata de mulheres que possuem casos complicados de amor. Em suas relações, amar significa uma obsessão constante por desejar mudar o seu parceiro. Segundo a autora, a justificativa para esse comportamento, na maioria dos casos, vem da infância problemática dessas mulheres, que sofriam com falta de atenção, maus tratos, pais alcoólatras, enfim, uma série de desajustes (que, felizmente, eu não tive na minha infância.
Devido a esses fatores, essas mulheres tornam-se obcecadas por homens inacessíveis (como os carentes demais, os alcoólatras, os agressivos, os gays, enfim, todo tipo), mas que, elas tentam, a todo custo, modificar, fazendo disso sua prioridade de vida, deixando sua própria felicidade de lado. Bom. Eu não faço isso também. Se o cara é problemático, eu até tento ajudar, mas se vejo que a minha ajuda não resulta em coisa alguma, eu pulo fora e vou atrás do que me faz feliz. Vai ver, é isso que me diferencia dos quatrocentos casos que ela apresenta durante o livro.
Pra quem faz psicologia, é uma ótima pedida! Como essa é a profissão da autora (psicóloga), ela relata como estudou todos os casos que chegaram até ela, até criar um padrão de comportamento que determina essas mulheres que amam demais e encontrar a "cura" para esse mal de amar demais.
O final do livro é mais interessante pois mostra alguns passos para a recuperação dessas mulheres, que, segundo a autora, se seguidos a risca, levam, com certeza à recuperação dessas mulheres, que precisam voltar a se amar mais, para então, encontrarem alguém que as ame do jeito que são (a velha história). Numa espécie de anexo, a autora até dá dicas valiosas para quem quiser montar seu próprio grupo de auto-ajuda para discutir e compartilhar suas histórias e, juntas, tentarem achar uma solução para seus problemas afetivos (o que é uma ótima pedida, porque durante o livro inteiro ela deu dicas de que somente uma terapeuta especializada em casos assim poderia ajudá-las, mas quem disse que é todo mundo que tem dinheiro pra isso?!). E aí, vasculhando na internet a respeito, para poder comentar, vi que existem mulheres que se empenharam nesse exemplo e montaram seu próprio grupo! O MADA, provavelmente, é o mais completo deles, com tudo o que uma mulher que ama demais precisa encontrar para se recuperar e voltar a viver.

LIVRO: O Estrangeiro

Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Albert Camus

Devido ao estudo intensivo de Filosofia que eu aprecio muito foi que eu resolvi ler O Estrangeiro, de Albert Camus. Esse livro escrito por um importante filósofo conta uma história que descreve a vida do personagem Meursault. Logo no começo do livro, ele recebe um telegrama informando que sua mãe havia morrido no asilo. A partir daí é possível começar a notar a total ausência de sentimentos ou afeições do personagem durante o velório e enterro da mãe. Ele não se mostra triste pela morte dela, apenas conformado e indiferente, já que ambos nem se falavam mesmo.
Num segundo momento, o personagem acaba cometendo um assassinato "sem querer", mas acaba sendo preso e julgado. Durante seu julgamento, a morte de sua vítima acaba ficando em segundo plano, aqueles que o julgam consideram muito mais perigoso o fato dele ser totalmente incapaz de sentir remorso ou demonstrar tristeza pela morte da mãe, e por isso, o condenam à morte.
É no momento final de sua vida, próximo à sua condenação, que ele se dá conta de que o mundo é tão indiferente à condição humana quanto ele próprio era em relação ao mundo ao se redor, por isso, pela primeira vez, ele se depara com uma espécie de felicidade: "Ao percebê-la tão parecida a mim mesmo, tão fraternal, enfim, eu senti que havia sido feliz e que eu era feliz mais uma vez."
É o tipo de livro que, para mim, vale a pena ler uma vez quando se está dentro do contexto filosófico no momento, do contrário, prefiro histórias mais felizes e menos
existenciais.

LIVRO: Ensaio sobre a cegueira


Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:José Saramago

Ensaio sobre a cegueira de José Saramago foi um ótimo livro. Daqueles que começam já no meio da ação (o primeiro a ficar cego no farol) e te fazem ficar preso a ele, desesperado pela próxima seqüência de acontecimentos, doido para saber qual será o final dessa loucura toda. Quando, um a um, as pessoas vão cegando, você se pergunta se haverá um motivo para isso, se isso irá acabar logo (ou nunca?) e, é claro, acompanha os personagens por aquela tortura tão bem escrita. Aqui, abro um parênteses no elogio à escrita para relatar um porém: o livro é escrito em português de Portugal. Parece ruim à primeira vista, mas de nada prejudica o entendimento global. Segundo ponto: o texto é todo corrido, ou seja, não há pontuação, travessão, nada. Vá lendo de um fôlego só, mas seja atento, senão irá perder onde termina a fala do narrador e começa a fala do próximo personagem. Atenção redobrada nos diálogos, você não vai querer interpretar errado uma fala por achar que foi um personagem que a disse, quando na verdade, já era outro falando.
José Saramago até parece ter sido cego um dia, para descrever com tanta facilidade as dificuldades e o mundo "visto" por eles. Ele nos faz ficar cego também, já que enxergamos somente o ponto de vista deles. É claro que a personagem principal, a mulher do médico - é os personagens não tem nome -, ajuda bastante no desenrolar da trama. Imagino como seria se não houvesse entre eles um ser com olhos... o que teria sido daquele povo?
O final foi surpreendente, emocionante, mas é impossível escrever mais sem entregar o que acontece. E não se descobre o desenlace até a última página, até o último parágrafo - devo dizer que adoro finais assim!
O filme, Blindness, cumpriu muito bem seu papel em caracterizar os personagens principais. Eles têm características fortes e distintas e achei que isso ficou bem representado na telona. O fato do primeiro cego e sua mulher terem virado um casal de japoneses me causou um certo estranhamento a princípio, mas depois, em certa cena, percebi que havia sido a escolha certa. O comportamento do japonês coube como uma luva à situação onde o marido não deixa que a mulher vá se entregar aos dominadores da outra camarata em troca de comida, rola muuuito do tal orgulho japonês lá, achei que ficou perfeitamente representado.
De resto, está tudo lá, todos os acontecimentos mais importantes para a construção da trama. Até o final, que achei maravilhoso, ficou exatamente como aparece no livro, o que foi um alívio. Inclusive, muitas das mesmas falas que aparecem no livro, se repetem no filme! Foi uma sensação gostosa assisti-lo logo depois de ter terminado o livro, essa fidelidade não me incomoda, muito pelo contrário.
Voltando lá em cima, naquela parte onde disse que muitas vezes os recursos audiovisuais complementam a sua criatividade, acho que é válido mencionar alguns efeitos interessantes que o cinema utilizou para representar a cegueira repentina. Não me refiro à densidade da escuridão branca que foi mencionado por aí, mas sim, um recurso onde os personagens em cena tateiam no nada e esbarram em objetos que só se revelam a nós, espectadores, quando eles próprios dão de encontro com o objeto. É como se passasse para nós, possuidores de visão, a idéia de que o objeto só se encontra ali quando se esbarra nele.

LIVRO: A menina que roubava livros

Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Markus Zusak

A Menina que Roubava Livros é um drama interessante e comovente escrito pelo autor australiano Markus Zusak. Ele conta a história da jovem Liesel Meminger, uma garota que é abandonada pela mãe numa viagem de trem e é adotada por uma nova família num bairro pobre da Alemanha, que na época, estava dominada por Hitler. Lá, seu padrasto a ensina a ler no porão da casa e Liesel logo toma gosto pela leitura. Ela começa a praticar o hábito de roubar livros para suprir sua necessidade de continuar lendo. Bem basicamente é isso. O diferencial fica por conta de a história ser contada pela Morte, ela própria, que, ao cruzar o caminho da menina, logo no começo da história, fica fascinada pelo seu jeito e decide observá-la enquanto cumpre o seu trabalho de levar aqueles que morrem. Ela surge em alguns momentos para fazer breves comentários sobre a vida da menina, sempre deixando bem claro que logo a hora de Liesel também chegaria. Os outros personagens da história são incrivelmente humanos e causadores de torrentes de lágrimas. Destaque especial para o amigo de Liesel, Rudy Steiner, o típico melhor amigo que se apaixona pela garota (e ele acaba sendo mais do que isso e proporcionando, talvez, a cena mais emocionante entre tantas do livro).
O livro tem uma escrita tocante, é bem escrito e contém fascinantes conceitos sobre a vida e a morte. O ambiente criado pelo autor é envolvente, verídico e te faz mergulhar e vivenciar a mesma experiência da menina no porão, sob os olhos atentos da Morte vigiante. Leitura de qualidade, merecidíssimo lugar na lista de best sellers!

Reforma da Língua Portuguesa

O que muda com a reforma da Língua Portuguesa.

As novas regras da língua portuguesa devem começar a ser implementadas em 2008. Mudanças incluem fim do trema e devem mudar entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro. Veja abaixo quais são as mudanças.

HÍFEN

Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"

TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados

ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)
2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")
4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)
5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)

ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"

ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"

ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca".
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, argúem.

GRAFIA
No português lusitano:
1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" - que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo".

(Publicado na Folha de São Paulo)