

UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA
Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]
(Autor: Fernando Pessoa)
Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]
(Autor: Fernando Pessoa)

sábado, 27 de agosto de 2011
Evidências
Tocadas pelo vento
sombras vagueiam indóceis
pelos vértices d'alma.
camarinhas
salgam a face do silêncio
estrangulam-se entre o medo
e a angústia
Arde o pensamento.
Células,
fibras e nervos
em convulsão misturam-se às idéias
arrebatam-as do rés do chão
já não há hipoxia
não existem mais estilhaços
atrás das couraças
nem no fundo do mar
O vento soprou do exílio
as palavras.
(Autora: Andréa Motta)
Voz que se cala
Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.
Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.
Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!
Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...
(Autora: Florbela Espanca)
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Andar com Fé
Andar com fé
É saber que cada dia é um recomeço.
É ter certeza que os milagres acontecem
E que os sonhos podem se realizar.
Andar com fé
É saber que temos asas invisíveis.
É fazer pedidos a estrelas cadentes
E abrir as mãos para o céu.
Andar com fé
É olhar sem temor as portas do desconhecido.
Ter a inocência dos olhos da criança,
A lealdade do cão,
A beleza da mão estendida
Para dar e receber.
Andar com fé
É usar a força e a coragem
Que habitam dentro de nós
Quando tudo parece acabado
Andar com fé
É saber que temos tudo a nosso favor.
É compartilhar as bênçãos multiplicadas.
É saber que sempre seremos surpreendidos
com presentes do Universo.
É a certeza que o melhor sempre acontece
E que tudo aquilo que almejamos está
totalmente ao nosso alcance !
Basta só Andar com Fé !
É saber que cada dia é um recomeço.
É ter certeza que os milagres acontecem
E que os sonhos podem se realizar.
Andar com fé
É saber que temos asas invisíveis.
É fazer pedidos a estrelas cadentes
E abrir as mãos para o céu.
Andar com fé
É olhar sem temor as portas do desconhecido.
Ter a inocência dos olhos da criança,
A lealdade do cão,
A beleza da mão estendida
Para dar e receber.
Andar com fé
É usar a força e a coragem
Que habitam dentro de nós
Quando tudo parece acabado
Andar com fé
É saber que temos tudo a nosso favor.
É compartilhar as bênçãos multiplicadas.
É saber que sempre seremos surpreendidos
com presentes do Universo.
É a certeza que o melhor sempre acontece
E que tudo aquilo que almejamos está
totalmente ao nosso alcance !
Basta só Andar com Fé !
(Autora: Silvia Schmidt)
Superflúo e Necessário
Uns querem um emprego melhor.
Outros, só um emprego.
Uns querem uma refeição mais farta.
Outros, só uma refeição.
Uns querem uma vida mais amena.
Outros, apenas viver.
Uns querem pais mais esclarecidos.
Outros, ter pais.
Uns querem ter olhos claros.
Outros, enxergar.
Uns querem ter voz bonita.
Outros, falar.
Uns querem silêncio.
Outros, ouvir.
Uns querem sapatos novos.
Outros, ter pés.
Uns querem ter carro.
Outros, andar.
Uns querem o supérfluo.
Outros, apenas o necessário.
(Autor: Francisco Cândido Xavier)
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