UMA NÉVOA DE OUTONO O AR RARO VELA

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

(Autor: Fernando Pessoa)

  

  

 

 


 

sábado, 8 de novembro de 2014

Quando as folhas caírem

Quando as folhas caírem, e tu fores
Procurar minha cruz no campo-santo,
Hás de encontrá-la, meu amor, num canto,
Circundado de flores.

Colhe, então, para os teus lindos cabelos,
Cada flor que do peito meu florisse!

São versos que pensei sem escrevê-los,
São palavras de amor que não te disse...

(Autor: Lorenzo Stecchetti)

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